Os problemas respiratórios do cavalo agravam-se na primavera e têm um impacto direto sobre o rendimento, sobretudo em disciplinas de alta exigência aeróbica. O importante é que não é necessária uma tosse evidente ou uma doença declarada para que um cavalo renda abaixo do seu nível: a inflamação das vias pode passar despercebida e ainda assim ter consequências.

Por que a primavera multiplica os sintomas

Com a primavera disparam vários fatores ambientais que irritam e sensibilizam as vias respiratórias:

  • Pólen de gramíneas e árvores.
  • Esporos de mofo.
  • Poeira orgânica do feno seco e da cama.
  • Mudanças bruscas de temperatura e humidade.

Ao serem inalados de forma repetida, estes alérgenos ativam uma resposta imune que libera mediadores inflamatórios. O resultado é broncoconstrição, hipersecreção de muco e inflamação da via aérea, que nos casos crónicos pode chegar a remodelar o brônquio.

Como afeta o rendimento (mesmo que não se veja)

A inflamação respiratória, mesmo subclínica, altera a fisiologia do exercício: reduz o VO₂ máx, piora a troca gasosa (hipoxemia leve) e aumenta o esforço respiratório, o que antecipa a fadiga. Na prática traduz-se em menor resistência, recuperação mais lenta, perda de potência no trabalho intenso e, por vezes, tosse ocasional ou secreção nasal.

Os cavalos com asma leve podem mostrar uma queda do rendimento aeróbico sem sinais clínicos evidentes. Por isso, perante uma queda de forma sem causa clara, vale a pena avaliar a via respiratória com o teu veterinário.

Manejo ambiental: o mais eficaz

O controlo do ambiente é a medida que mais impacto tem: bem aplicada, pode reduzir os sintomas de forma muito notável. As prioridades:

  • Feno humedecido ou vaporizado para abater a poeira e os esporos.
  • Reduzir a poeira da cama (escolher materiais menos poeirentos).
  • Ventilação adequada do box.
  • Evitar os treinos nas horas de maior carga de pólen.

Apoio nutricional

Como complemento do manejo —nunca no seu lugar—, vários nutrientes ajudam a modular a inflamação respiratória:

  • Ácidos gordos ómega-3 (EPA/DHA): melhoram os parâmetros inflamatórios pulmonares ao reduzir a produção de eicosanoides pró-inflamatórios.
  • Antioxidantes (vitamina E, vitamina C e selénio): diminuem o stress oxidativo das vias, especialmente no cavalo de desporto.
  • Fitoterapia (tomilho, eucalipto, alcaçuz): com efeito expetorante e broncodilatador leve.
  • N-acetilcisteína (NAC) e MSM: a NAC é um mucolítico que reduz a viscosidade do muco e o MSM aporta propriedades anti-inflamatórias sobre a via aérea.
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Para recordar
  • Na primavera, pólen, poeira e esporos inflamam a via respiratória e reduzem o rendimento, muitas vezes sem sintomas claros.
  • O manejo ambiental —feno humedecido, menos poeira, boa ventilação— é a medida mais eficaz.
  • Omega-3, antioxidantes, fitoterapia, NAC e MSM são apoios nutricionais úteis como complemento, não como substituto.

A informação deste artigo é divulgativa e não substitui o diagnóstico nem o tratamento de um veterinário registado. Se o teu cavalo apresentar tosse, secreção ou perda de rendimento, consulta o teu profissional de referência.

Este artigo tem fins informativos e não substitui o diagnóstico nem o tratamento de um veterinário inscrito na ordem. Em caso de emergência, contacta o teu profissional de referência.

AR
Sobre o autor

Ana Rivero

Veterinaria especializada en medicina equina con más de quince años de experiencia clínica en cuadras deportivas. Colabora con Equinvest en contenidos de salud y nutrición.